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Sarampo: alerta de 2026 e o que muda na triagem do plantão

Regys Mendes Plantão · Operação 4 min
Profissional de saúde de máscara e uniforme azul em corredor de emergência de hospital

O Ministério da Saúde reforçou em outubro o alerta para o risco de o sarampo voltar a circular no Brasil. Segundo a nota oficial, o país registrou 52 casos importados em 2026 até 5 de outubro: 41 em São Paulo, 10 no Amazonas e 1 no Rio de Janeiro. O Brasil segue livre da circulação endêmica. Mas cada caso importado começa do mesmo jeito: um paciente com febre e manchas que entra pela porta do PS ou da UPA.

O que mudou

O cenário nas Américas piorou. A nota do Ministério cita o CDC: os Estados Unidos registram o maior número anual de casos em mais de 35 anos, e mais de 90% dos casos são de pessoas não vacinadas ou com situação vacinal desconhecida. Segundo a OPAS, EUA, Guatemala, México, Peru e Canadá concentram mais de 95% dos casos confirmados na região em 2026.

O ritmo no Brasil. Em nota de agosto, o Ministério contava 24 casos relacionados à importação. Em outubro, eram 52. A mesma nota de agosto registra que a OPAS classificou a região com o maior número de casos confirmados dos últimos 22 anos e risco muito alto para a saúde pública.

Resposta em campo. Segundo o Ministério, as equipes fazem busca ativa, investigação epidemiológica, monitoramento de contatos e bloqueio vacinal. Na tríplice fronteira com Colômbia e Peru, a resposta foi intensificada com apoio de equipes federais. Em São Paulo, a estratégia inclui a dose zero para crianças de 6 a 11 meses e 29 dias.

O histórico que preocupa. Em 2019, com coberturas vacinais baixas, o país registrou mais de 20 mil casos e perdeu a certificação de eliminação após mais de 12 meses de transmissão. A recertificação veio em novembro de 2024.

O que a OPAS orienta para o serviço de saúde

O alerta epidemiológico da OPAS de maio traz um bloco específico sobre manejo hospitalar, com o objetivo declarado de evitar a transmissão dentro do hospital:

  • Desde a triagem: medidas de prevenção e controle de infecção para casos de doença febril exantemática, com identificação rápida em áreas bem ventiladas
  • Na suspeita: paciente em área isolada, com porta fechada e janela voltada para o exterior, usando máscara cirúrgica
  • Equipe: esquema vacinal completo e, para entrar na área, respirador N95/PFF2 ou PFF3, proteção ocular, avental e luvas, com precauções para aerossóis
  • Fluxo: encaminhamento para sala de isolamento em qualquer nível de atendimento, evitando contato com outros pacientes em sala de espera e internação
  • Depois: limpeza, desinfecção e manejo de resíduos conforme o protocolo da instituição

O documento também diz que as ações de resposta devem começar a partir da identificação do caso suspeito, sem esperar a classificação final.

Por que importa pro plantão

O próprio Ministério da Saúde descreve o sarampo como doença com sintomas que podem ser confundidos com os de outras viroses. O quadro típico listado é exantema de progressão cefalocaudal e febre acima de 38,5 °C, com tosse seca, coriza, conjuntivite não purulenta ou manchas de Koplik.

A transmissão é aérea e pode ocorrer entre 6 dias antes e 4 dias após o aparecimento do exantema. Uma pessoa infectada pode transmitir para 90% das pessoas próximas que não estejam imunes, segundo o Ministério. Tipo: o paciente que espera duas horas na sala de espera lotada ao lado de um bebê de 8 meses. É aí que a triagem pesa.

O outro ponto é a coleta. A página do Ministério diz ser “imprescindível” que as amostras para sorologia e RT-PCR sejam colhidas no primeiro contato com o paciente. Os prazos: primeira amostra de sangue entre o 1º e o 30º dia do exantema, segunda amostra de 15 a 25 dias depois da primeira, e secreção nasofaríngea, orofaríngea e urina até o 7º dia. Ficou claro que deixar a coleta “pro ambulatório” pode significar perder a janela do RT-PCR.

Só que aí vem a ressalva. Notificação, fluxo de amostras e laboratório de referência são definidos pela vigilância de cada estado e município. Achar que existe um caminho único nacional pra seguir de cabeça é cilada.

O que fazer com isso

1. Saber onde fica o isolamento. Antes de precisar: qual sala do PS ou da UPA tem porta fechada e janela para fora, e qual o fluxo pra chegar lá sem passar pela espera.

2. Conferir o próprio cartão de vacina. A OPAS coloca o esquema completo da equipe como parte da proteção. Quem não tem certeza pode procurar uma unidade de saúde. A vacina está disponível no SUS.

3. Ter o contato da vigilância epidemiológica. O fluxo de notificação e coleta é local. Vale ter o telefone do núcleo hospitalar ou da vigilância municipal salvo antes do caso aparecer, e registrar na passagem de plantão quem já foi acionado.

4. Ler as fontes. A página do Ministério traz diagnóstico, prazos de coleta e a indicação de vitamina A em crianças com suspeita. O alerta da OPAS traz o bloco completo de manejo hospitalar. Pra triagem em PS cheio, o post sobre superlotação e triagem complementa.

Este texto descreve documentos oficiais; a conduta em cada caso segue o protocolo da instituição, a orientação da vigilância local e a avaliação do médico responsável.


Escala organizada, com quem sabe onde fica o isolamento e para quem ligar, é o tipo de gestão que o Pego Plantão facilita.

Fontes citadas

Perguntas frequentes

Quantos casos de sarampo o Brasil tem em 2026?+

Segundo o Ministério da Saúde, até 5 de outubro de 2026 foram registrados 52 casos importados: 41 em São Paulo, 10 no Amazonas e 1 no Rio de Janeiro. O país segue livre da circulação endêmica.

O Brasil perdeu a certificação de país livre do sarampo?+

Não. A OPAS recertificou o Brasil como livre da circulação endêmica em novembro de 2024, e o Ministério da Saúde informa que o status se mantém apesar dos casos importados.

O que a OPAS recomenda para o paciente com suspeita de sarampo no serviço de saúde?+

Colocar o paciente em área isolada, com porta fechada e janela voltada para o exterior, usando máscara cirúrgica. A equipe deve ter vacinação completa e usar respirador N95/PFF2 ou PFF3, proteção ocular, avental e luvas.

Quando coletar amostras de um caso suspeito de sarampo?+

O Ministério da Saúde orienta coletar no primeiro contato com o paciente. A primeira amostra de sangue vale entre o 1º e o 30º dia do exantema, e as amostras de secreção e urina para RT-PCR até o 7º dia.

Por quanto tempo o paciente com sarampo transmite o vírus?+

Segundo o Ministério da Saúde, a transmissão pode ocorrer entre 6 dias antes e 4 dias após o aparecimento das manchas vermelhas pelo corpo, por via aérea.

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