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Reanimação neonatal: o que as diretrizes SBP 2026 trazem

Regys Mendes Plantão · Operação 4 min
Mão enluvada junto a recém-nascido com sensor de oximetria em sala de parto

A Sociedade Brasileira de Pediatria publicou, pelo Programa Brasileiro de Reanimação Neonatal (PRN-SBP), as Diretrizes 2026 de reanimação em sala de parto. São dois documentos, ambos datados de 12 de junho de 2026: um para recém-nascidos com 34 semanas ou mais e outro para prematuros com menos de 34 semanas. Pra quem dá plantão em maternidade ou em hospital com obstetrícia, é a referência nacional para os primeiros minutos de vida.

O que mudou

Base de evidência atualizada. Segundo o documento, as diretrizes se apoiam nos consensos do International Liaison Committee on Resuscitation (ILCOR) publicados entre 2021 e 2025 e numa reunião de consenso do PRN-SBP de 10 de dezembro de 2025, com coordenadores estaduais e o Departamento de Neonatologia.

Dois documentos, dois públicos. A separação por idade gestacional se mantém. O texto para prematuros tem capítulos próprios sobre normotermia, vias aéreas, avaliação de frequência cardíaca, respiração e saturação durante a estabilização.

Briefing antes de cada nascimento. A diretriz coloca o briefing como “a primeira ação da equipe”: reunir obstetrícia, anestesiologia, pediatria, enfermagem e fisioterapia antes do parto para planejar, revisar a anamnese e combinar papéis. O documento traz um roteiro prático para briefing e debriefing.

Clampeamento do cordão. No RN com boa vitalidade, o texto recomenda clampear no mínimo 60 segundos após o nascimento. Situações de interrupção da circulação placentária, como descolamento prematuro, são citadas como indicação de clampeamento imediato.

Minuto de Ouro. Quando há indicação de ventilação com pressão positiva (VPP), ela precisa começar nos primeiros 60 segundos. O documento afirma que o risco de morte ou morbidade aumenta 16% a cada 30 segundos de demora, independentemente do peso, da idade gestacional ou de complicações.

Os números que a diretriz usa

A diretriz para ≥34 semanas abre com a frequência de cada intervenção:

  • 2 em cada 10 recém-nascidos precisam de ajuda para estabelecer a respiração
  • 1 em cada 10 precisa de VPP
  • 1 em cada 100 precisa de intubação traqueal
  • 1 a 3 em cada 1.000 precisam de reanimação avançada, com massagem cardíaca e/ou medicações

E o contexto brasileiro: em 2023, entre os 15.933 óbitos neonatais precoces no país, 3.109 (20%) estiveram associados a asfixia perinatal, hipóxia ao nascer e/ou aspiração meconial. Entre os nascidos com 2.500 g ou mais, essas causas responderam pela morte de três recém-nascidos por dia, segundo o documento.

Por que importa pro plantão

A diretriz é direta sobre a equipe. Pelo menos um profissional capaz de fazer os passos iniciais e ventilar com máscara deve estar presente em todo parto, e a única responsabilidade dele deve ser o recém-nascido. Com fatores de risco perinatais, podem ser necessários 2 a 3 profissionais treinados, sendo ao menos um médico apto a intubar e a indicar massagem e medicações, de preferência pediatra. A SBP recomenda a presença do pediatra em todo nascimento.

Tipo: o plantonista que cobre PS e sala de parto no mesmo turno, em hospital de porte pequeno. A diretriz pede alguém com dedicação exclusiva ao RN naquele momento. Ficou claro que isso é questão de escala, não só de técnica.

O preparo também conta. O texto pede material testado antes de cada parto e sala de parto entre 23 °C e 25 °C. E lembra que parto de baixo risco também pode precisar de reanimação, por isso recomenda equipe apta disponível em cada nascimento, e equipe própria para cada gêmeo.

Só que aí vem a ressalva. Os documentos têm dezenas de páginas, fluxogramas e detalhes de técnica, oxigênio e medicação. Usar resumo de terceiro como protocolo é cilada. E reanimação neonatal se aprende em curso prático, não em post.

O que fazer com isso

1. Ler o original. Os dois documentos estão no acervo da SBP e reunidos na página do programa.

2. Conferir o treinamento. O PRN-SBP tem como missão disseminar o cuidado do neonato ao nascer, no transporte e na estabilização, e o Portal de Boas Práticas do IFF/Fiocruz reúne os documentos de 2026 e material de apoio. Vale saber quando foi o seu último curso.

3. Olhar a escala da sala de parto. Se o serviço tem um único médico para PS e parto, vale levar a recomendação de profissional dedicado ao RN para a coordenação. O post sobre valor do plantão de pediatria ajuda a dimensionar essa conversa.

4. Usar o briefing na passagem. Gestante de risco internada? Vale entrar na passagem de plantão com quem chamar e onde está o material.

A diretriz é documento de sociedade médica; a conduta em cada caso segue o protocolo da instituição e a avaliação do médico responsável.


Escala de sala de parto coberta, com alguém dedicado ao recém-nascido em cada nascimento, é o tipo de gestão que o Pego Plantão facilita.

Fontes citadas

Perguntas frequentes

Quando saíram as Diretrizes 2026 de reanimação neonatal da SBP?+

Os dois documentos do Programa Brasileiro de Reanimação Neonatal, para recém-nascidos com 34 semanas ou mais e com menos de 34 semanas, são datados de 12 de junho de 2026 e estão no site da SBP.

Em que se baseiam as diretrizes?+

Nos consensos do International Liaison Committee on Resuscitation (ILCOR) publicados entre 2021 e 2025 e em reunião de consenso do PRN-SBP realizada em 10 de dezembro de 2025.

O que é o Minuto de Ouro?+

É o prazo de 60 segundos após o nascimento para iniciar a ventilação com pressão positiva quando ela está indicada. Segundo a diretriz, o risco de morte ou morbidade aumenta 16% a cada 30 segundos de demora.

Quantos recém-nascidos precisam de reanimação?+

A diretriz para ≥34 semanas cita que cerca de 2 em cada 10 precisam de ajuda para respirar, 1 em cada 10 de ventilação com pressão positiva, 1 em cada 100 de intubação e 1 a 3 em cada 1.000 de reanimação avançada.

Quem deve estar no parto segundo a diretriz?+

Pelo menos um profissional capaz de fazer os passos iniciais e ventilar com máscara, com responsabilidade exclusiva pelo RN. Com fatores de risco, 2 a 3 profissionais treinados, sendo ao menos um médico apto a intubar, de preferência pediatra.

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