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El Niño 2026-2027: o plano do SUS e o que chega ao plantão

Regys Mendes Plantão · Operação 4 min
Rua alagada entre vegetação e casa azul após chuva forte

O Ministério da Saúde trabalha com uma janela crítica para o El Niño entre outubro de 2026 e março de 2027. A informação está no Plano de Preparação e Resposta a Emergências em Saúde Pública associadas ao El Niño, apresentado aos secretários estaduais no fim de agosto. Em setembro, a pasta publicou a Nota Técnica Conjunta 308/2026, que orienta a vigilância de vírus respiratórios em eventos climáticos extremos. A janela começou este mês. E boa parte dos efeitos chega pela porta do PS.

O que mudou

O fenômeno e a janela. Segundo o Ministério, o El Niño está classificado como “forte” e pode chegar a “muito forte”. A janela crítica vai de outubro de 2026 a março de 2027.

Efeitos por região. O plano lista seca, estiagem e queimadas no Norte e Centro-Oeste; aprofundamento da seca e calor no Nordeste; ondas de calor e temporais no Sudeste; e chuvas intensas, com risco de inundação, no Sul.

Cinco eixos de preparação. O secretário-executivo Adriano Massuda apresentou: Sala de Situação de Emergências Climáticas; Sala de Situação Saúde e Clima; kits emergenciais de assistência farmacêutica; Força Nacional do SUS, com bases regionais capazes de deslocar equipes em até 48 horas; e protocolos técnicos por bioma.

Monitoramento integrado. O plano cita o Painel Nacional de Excesso de Calor, o VigiAR, o GeoRisk e a integração de e-SUS Notifica, Sivep-Gripe e Sinan para detecção precoce de surtos. O Ministério também mencionou arboviroses como tema que tende a se agravar com o fenômeno.

O que diz a Nota Técnica 308/2026

A Nota Técnica Conjunta 308/2026, assinada em setembro, parte de um ponto: enchentes, secas e deslocamentos levam gente para abrigos, e aglomeração com pouca ventilação favorece influenza, SARS-CoV-2 e vírus sincicial respiratório.

  • Definições de caso. Retoma as definições de síndrome gripal e de SRAG, incluindo saturação ≤ 94% em ar ambiente como sinal de agravamento e, em menores de 2 anos, batimento de asa nasal, apneia, cianose e tiragem.
  • Surto em ambiente fechado. Pelo menos três casos de SG com vínculo epidemiológico em até sete dias. Entre os ambientes listados estão abrigos, ILPIs, creches, presídios e “o mesmo setor de um hospital”.
  • Influenza. O texto afirma que, na SG com suspeita de influenza e fatores de risco, recomenda-se oseltamivir; na SRAG com suspeita de influenza, o tratamento está indicado independentemente de fatores de risco, iniciado o mais cedo possível, sem necessidade de aguardar exame.
  • Covid-19. Nirmatrelvir/ritonavir é citado como indicado no SUS para pessoas com 65 anos ou mais e imunossuprimidos com 18 anos ou mais, nos primeiros cinco dias de sintomas, em quadro não grave confirmado.
  • Fluxos. Pede que a vigilância avalie a disponibilidade de teste rápido de antígeno, o acesso aos antivirais e o fluxo de amostras para os Lacen.

Uma segunda nota, a Nota Técnica 101/2026, trata da Rede de Frio de vacinas. Ela cita dados de INPE, INMET e outros órgãos apontando probabilidade “extremamente elevada” de manutenção e agravamento do evento ao longo de 2027.

Por que importa pro plantão

O plano é federal e fala com gestores. Mas a ponta é o PS e a UPA. Tipo: a cidade alaga, a população vai para o ginásio, e uma semana depois chegam os idosos com SG de um mesmo abrigo. A nota técnica chama isso de surto e pede comunicação imediata à vigilância.

Outro ponto prático é o antiviral. A nota reafirma que, na SRAG com suspeita de influenza, o tratamento não espera resultado de exame. Ficou claro que saber onde está o oseltamivir no serviço, e como dispensar, conta em semana de pico.

E tem o calor. No Sudeste e no Nordeste, o plano fala em ondas de calor, e o Ministério monitora isso pelo Painel Nacional de Excesso de Calor.

Só que aí vem a ressalva. A nota orienta vigilância e fluxos, não substitui protocolo clínico. Os detalhes de dose e de indicação estão nos documentos e nos protocolos do serviço.

O que fazer com isso

1. Saber o fluxo local. Onde estão o teste rápido de antígeno, o oseltamivir e o nirmatrelvir/ritonavir no seu serviço, e quem notifica.

2. Registrar a origem do paciente. Se veio de abrigo ou alojamento, isso entra na ficha e na passagem de plantão. É o dado que ajuda a vigilância a fechar um surto.

3. Pensar na escala. Janela de seis meses com risco de pico de demanda pede escala com folga. O post sobre superlotação e triagem ajuda a organizar essa conversa.

4. Ler as fontes. A nota do Ministério resume o plano, e a NT 308/2026 traz as definições e os fluxos.

Este texto descreve documentos oficiais; a conduta em cada caso segue o protocolo da instituição, a orientação da vigilância local e a avaliação do médico responsável.


Escala com folga para os meses de pico, sem descoberto quando a demanda sobe de repente, é o tipo de gestão que o Pego Plantão facilita.

Fontes citadas

Perguntas frequentes

Quando é a janela crítica do El Niño 2026-2027?+

Segundo o Ministério da Saúde, o fenômeno está classificado como forte, com janela crítica prevista entre outubro de 2026 e março de 2027.

Quais efeitos o Ministério da Saúde espera em cada região?+

Seca, estiagem e queimadas no Norte e Centro-Oeste; seca e calor no Nordeste; ondas de calor e temporais no Sudeste; e chuvas intensas com risco de inundação no Sul.

O que diz a Nota Técnica Conjunta 308/2026?+

Orienta a vigilância de síndrome gripal, SRAG e óbitos por vírus respiratórios em situações de eventos climáticos extremos, com atenção especial a abrigos e alojamentos temporários.

O que a nota diz sobre oseltamivir?+

Que, na SG com suspeita de influenza e fatores de risco, recomenda-se oseltamivir, e na SRAG com suspeita de influenza o tratamento está indicado independentemente de fatores de risco, sem necessidade de aguardar exame. A conduta em cada caso segue o protocolo e a avaliação médica.

O que é a Força Nacional do SUS no plano do El Niño?+

É um dos cinco eixos de preparação apresentados pelo Ministério, com bases regionais capazes de deslocar equipes em até 48 horas.

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