Automações Médico Solo · Prescrição & Prontuário

Prescrição Digital: Como Fazer pelo CFM e CFO em 2026

Regys Mendes Automações Médico Solo · Prescrição & Prontuário 6 min
médico digitando prescrição em computador moderno

Receita rasgou. Farmácia ligou pra confirmar assinatura. Paciente chegou na farmácia sem o papel. Quem ainda trabalha só com receituário físico em 2026 está criando problema desnecessário — tanto pra si quanto pro paciente.

A prescrição eletrônica tem base legal sólida desde a Resolução CFM nº 2.381/2024. O CFM tem sistema gratuito. O CFO tem sistema gratuito. Certificado digital qualificado é gratuito para profissional adimplente no conselho. A tecnologia resolveu. O que falta é o profissional saber os passos.

Neste guia: como médico faz, como dentista faz, e o que muda com o SNCR antes de 30 de setembro de 2026 para quem prescreve controlado.

O que a lei exige na prescrição digital

A Resolução CFM nº 2.381/2024 normatiza todos os documentos médicos emitidos em meio eletrônico — receita, atestado, laudo, parecer. Os campos obrigatórios:

  • Nome e CRM do médico
  • RQE (Registro de Qualificação de Especialistas), se houver vinculação com especialidade
  • Nome e CPF do paciente
  • Data e hora de emissão
  • Assinatura digital com certificado ICP-Brasil nível de segurança 2

A assinatura qualificada ICP-Brasil é o ponto central. Sem ela, o documento eletrônico não tem validade jurídica. Com ela, equivale à assinatura de próprio punho — tanto em farmácia quanto em processo judicial.

Para o dentista, o sistema do CFO segue a mesma lógica: assinatura digital ICP-Brasil emitida para profissional com cadastro ativo no CRO.

Em paralelo, a RDC ANVISA 1.000/2025 trouxe regras específicas para medicamento sujeito a controle especial. Resumo direto:

  • Portaria SVS/MS 344/98 (benzodiazepínicos, opioides, metilfenidato): exige certificado qualificado ICP-Brasil — obrigatório, sem alternativa
  • Antimicrobianos e medicamentos de retenção: aceita assinatura avançada, incluindo via gov.br
  • Receita simples: assinatura qualificada ou avançada

Receita de papel não foi extinta. Ambos os formatos coexistem. Mas papel não chega no WhatsApp do paciente, não tem QR Code de validação e some entre o consultório e a farmácia. Digital ganha em praticidade sem perder em validade.

Médico: como fazer prescrição digital pelo CFM

O sistema oficial é a Plataforma de Prescrição Eletrônica do CFM, totalmente gratuita para médico com CRM ativo e adimplente. Válida no Brasil inteiro, independente de CRM regional.

Certificado digital — primeiro passo real

O CFM oferece certificado em nuvem gratuito. Acesse prescricaoeletronica.cfm.org.br, clique em “Obter certificado” e siga o processo com os dados do seu CRM. Na primeira vez, leva uns 15 minutos. Não precisa de token físico — funciona no celular ou notebook, qualquer sistema operacional.

Quem já tem certificado ICP-Brasil de outra AC credenciada (Certisign, Serpro, VALID) também pode usar direto.

Login e cadastro

CRM + senha cadastrada. Primeiro acesso: confirme dados, aceite os termos. Pronto.

Emitindo o documento

A plataforma tem 8 tipos: receita simples, receita de antimicrobiano, receita de controle especial, solicitação de exames, atestado, relatório, laudo médico e parecer técnico. Escolhe o tipo, preenche os campos, assina com o certificado. O sistema gera PDF com QR Code de validação embutido — farmácia confirma sem precisar ligar pro consultório.

Enviando ao paciente

Diretamente pelo sistema via e-mail, ou pega o link e manda no WhatsApp. Nenhuma etapa extra, nenhum aplicativo adicional.

O sistema do CFM emite também atestado digital com a mesma assinatura qualificada. Se você ainda assina atestado à mão, vale entender como o atestado médico digital via ICP-Brasil funciona e o que valida juridicamente em 2026 — mesma infraestrutura, mesma validade, aceitação crescente por RH de empresa e planos de saúde.

Uma situação que vi muito médico reclamar: “o paciente perdeu o papel e pediu segunda via”. Com a prescrição eletrônica do CFM, segunda via é gerada em segundos no próprio painel — o documento fica salvo, com data e assinatura originais. Nenhuma reemissão manual, nenhuma caneta de volta.

Dentista: como fazer prescrição digital pelo CFO

O Conselho Federal de Odontologia tem sistema próprio: prescricao.cfo.org.br, gratuito para todo cirurgião-dentista com CRO ativo.

Certificado digital

Dentista que atua no SUS: o CFO, em parceria com o ITI (Instituto Nacional de Tecnologia da Informação), disponibilizou até 20 mil certificados digitais gratuitos. Consulte o CRO regional para verificar disponibilidade e o processo de solicitação.

Para consultório privado: qualquer AC credenciada pelo ICP-Brasil emite o certificado. Caro? Po, custo médio é R$150 a R$200 por ano — uma consulta. A economia em papel, impressora e cartucho cobre isso em poucos meses.

Acesso ao sistema

Login no prescricao.cfo.org.br com certificado instalado. Funciona em desktop e mobile, sem download de software adicional.

Emitindo a prescrição

Escolhe o tipo de documento, preenche dados do paciente e do medicamento, assina com o certificado. O sistema gera PDF com QR Code de validação nacional — farmácia em qualquer estado do Brasil consegue confirmar autenticidade.

O CFO integrou o sistema ao site validador do ITI, garantindo rastreabilidade em âmbito federal. A farmácia lê o QR e dispensa sem questionamento.

Tipo: o paciente mostra o PDF no celular, a farmácia escaneia, o sistema confirma que o documento é legítimo e pertence a um cirurgião-dentista com CRO ativo. Não há como falsificar — a assinatura ICP-Brasil está cravada no hash do arquivo.

Ponto de atenção para controlados: o sistema CFO cobre receita simples e antimicrobianos. Para receita de controlado especial (Portaria 344/98) em Odontologia, confirme com o CRO regional o status de integração ao SNCR — a ANVISA é clara que medicamentos da lista do Portaria 344/98 exigem sistema integrado antes de setembro de 2026.

SNCR: o que muda para receita de controlado antes de 30/09/2026

O prazo que todo prescritor de controlado precisa ter na cabeça: 30 de setembro de 2026.

A ANVISA ampliou o prazo do SNCR — Sistema Nacional de Controle de Receituários — para essa data. A partir daí, receita de controlado eletrônica só é válida se emitida por sistema integrado ao SNCR, com numeração única e rastreável por receita.

Mas atenção: você não precisa se cadastrar no SNCR. A integração é responsabilidade dos sistemas de prescrição — envio de receita digital via Memed ao paciente, iClinic, prontuários eletrônicos, plataforma CFM. Eles que precisam estar integrados. Você precisa saber se o que você usa já está.

O que fazer agora:

  1. Pergunte ao fornecedor do seu prontuário ou sistema de prescrição se a integração SNCR está ativa ou prevista antes de setembro.
  2. Se você usa a plataforma CFM direta: alinhada com RDC 1.000/2025, mas confirme a integração SNCR antes de 30/09.
  3. Se você prescreve Venvanse, Ritalina, benzodiazepínico ou opioide em formato digital: priorize essa checagem agora.

Receita em papel de controlado continua válida. Não tem extinção de papel. Mas receita digital de controlado sem SNCR depois de setembro vira documento inválido para a farmácia dispensar.

Quer entender os detalhes específicos de receita azul e amarela no formato digital — o que cada cor exige e como o SNCR muda o fluxo? Veja o guia completo de receita controlada digital para médico em 2026.


Isenção de responsabilidade: este post descreve as regras vigentes com base em fontes oficiais do CFM, ANVISA e ITI. Para decisões sobre adequação do seu sistema ao SNCR ou sobre certificação digital específica, consulte seu conselho regional e o fornecedor do software que você usa.


Migrar pra prescrição digital custa zero de dinheiro e uns 15 minutos de tempo na primeira configuração. O que continua custando é ficar no papel — farmácia ligando pra confirmar assinatura, paciente perdendo receita antes de chegar na farmácia, atestado rejeitado pelo RH da empresa. Em 2026, não cola mais dizer que é complicado.

Fontes citadas

Perguntas frequentes

Como fazer prescrição digital pelo CFM?+

Acesse prescricaoeletronica.cfm.org.br, solicite o certificado gratuito em nuvem com seu CRM, faça login e emita o documento. O sistema tem 8 tipos de documento e envia por link direto para o paciente.

A prescrição digital tem a mesma validade jurídica que a de papel?+

Sim. Com assinatura digital ICP-Brasil nível 2, o documento eletrônico tem validade jurídica equivalente à assinatura de próprio punho, conforme Resolução CFM 2.381/2024 e Lei 14.063/2020.

Dentista pode emitir receita de controlado em formato digital?+

Para receita simples e antimicrobianos via CFO sim. Para controlados da Portaria 344/98, é necessário sistema integrado ao SNCR com certificado ICP-Brasil qualificado; confirme com o CRO regional o status de integração do sistema que você usa.

O que é o SNCR e quando obriga a integração?+

O Sistema Nacional de Controle de Receituários (SNCR) da ANVISA rastreia receitas de controlados. Sistemas de prescrição eletrônica precisam estar integrados até 30 de setembro de 2026. O prescritor não se cadastra no SNCR diretamente.

Preciso pagar por certificado digital para prescrever eletronicamente?+

Não, se você tiver CRM ativo e adimplente. O CFM oferece certificado em nuvem gratuito. Dentistas no SUS têm acesso a certificados gratuitos via parceria CFO-ITI. Para consultório privado sem SUS, ACs credenciadas cobram cerca de R$150 a R$200 por ano.

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